Sobre o «LITERATURA, POESIA E ARTE DE PALMAS -PARANÁ - BRASIL »
brilhantemente editado pela Lucy ( não só não defraudou as expectativas que tinha dela, como ainda as aumentou para um patamar bem elevado) e pelo Elison (que de todo não conhecia, mas que fiquei a respeitar), apraz-me dizer que é admirável, vulcânico, intenso e gostoso.
Logo a abrir, no 'espaço poesia', perde-se a respiração rotineira e entramos no cosmos do sonho íntimo-ébrio, ao sermos levados pela suave e poderosa magia da Joanilce Machinski (onde é que ela andava?). Márcio de Jesus e Elison Gabriel Leite, não fizeram por menos e ainda impulsionaram os afortunados cúmplices para os confins etéreos deste uniVERSO venturoso da interioridade, para depois, como «... terna mão de Deus os poisar / plenos e inseparáveis / incólumes / e incrédulos por cheirarem / a giestas.» [von Trina, in «A Dádiva Astuciosa Dos Deuses» -desculpem a imodéstia, mas não me lembrei de mais nada] no...
'Espaço prosa'. Aqui somos convidados a «caminhar» n' «A ESCRAVIDÃO DO SÉCULO XXI», n' «A INESGOSTABILIDADE DE DRUMMOND» e no « ESPAÇO VIRGÍLIO FERREIRA EM PALMAS-PARANÁ-BRASIL», além de nos permitirem 'um cheirinho' no 'espaço arte', do ver dramatológico da Lucy.

Não vou alongar-me criticamente sobre a prosa, como semi-analfabeto bruto (portanto analfabruto), não tenho a estatura de tão ilustres académicos, nem tão pouco preparação ou competência, estas são do foro da minha querida amiga Alice Tomé, ou do meu irmão-em-literatura Ângelo Rodrigues, meus parceiros na fundação do movimento «Hiper-Espiritualista», ou/e também do meu Mestre-em-Atitude Júlio Roberto. No entanto gostaria de deixar registado, o que senti ao ler aqueles trabalhos, sobretudo os que festejaram o grande VERGÍLIO FERREIRA (atenção que este detalhe do nome era muito caro e importante para o autor, que fazia MUITA e GRANDE questão de o sublinhar), serrano da minha 'terra de adopção', e região em que sempre que possível me escondo na gastronomia e na paisagem, a romântica cidade de Gouveia (Serra da Estrela, aldeia de Melo), onde dá nome a uma biblioteca (de que sou orgulhoso sócio), superiormente dirigida pelo meu amigo, o escritor João Reboxo, vencedor em 2001 do prémio literário atribuído pela maior multinacional-livraria europeia, a Fnac.
Gostei! Gostei tanto que me soube a pouco! Desde os 'escravos da mediocridade' no novo século, ao 'inesgotável Drummond', fui levado na torrente estimulante mas infelizmente curta, do fazer-reflexão literário e científico (ou será científico e literário?) de gente de talento e atenta. Emocionei-me por perceber que ainda há faróis de esperança, lucidez e inteligência, cortando a estupidez quotidiana! Depois... Bom, depois desembarquei na praia Neo-Realista do 'tio' Vergílio e embrenhei-me na contígua selva «mistério da vida que nos habita» e devo confessar que me perdi um pouco, na 'vegetação verde' tecnicamente denso-hermética mas academicamente inatacável, onde contudo com alguma imaginação se deveriam encontrar-fomentar zonas de penetração do sol-criatividade, que para o eu-poeta significam a luz-alma de qualquer texto-palavra, ou que talvez seja apenas e afinal deslocada “epifania do eu” (ou mais provavelmente, eu não fazer a mínima ideia do que estou para aqui a escrever). Foi fascinante a proposta-amostra Vergílio Ferreira e o poder gozar com verdadeiro prazer, o facto de a literatura em língua portuguesa unir, o que os acidentes geográficos e as distâncias separam. Obrigado!

Agora deixo-vos uma 'prenda'. Alguns meses atrás fui convidado para 'fazer' o recital poético na apresentação da obra «PAIDEIA» (poemas seguidos de dez cartas inéditas de Vergílio Ferreira ao autor), do Jorge de Oliveira e Sousa, discípulo do autor de «APARICÃO», poeta, professor em várias universidades por esse mundo fora e hoje Director na Comissão Europeia (espécie de governo supra-nacional da União Europeia) encarregado do relacionamento desta Comissão com o Conselho de Ministros (composto por ministros dos vários estados membros da União).
Uma das curiosidades deste livro, é que ele estava escrito desde 1966, época em que o autor era aluno de Vergílio e conforme nos é revelado nas Cartas citadas, este já então figura de topo da literatura portuguesa, empenhou-se debalde, numa autêntica 'Via-Sacra' pelas editoras de Lisboa, para que a obra fosse publicada, o que só agora veio a acontecer (pouca coisa mudou daí para cá), e por empenho do meu amigo Ângelo Rodrigues, na 'minha' editora, a Minerva. Desta 'quase-odisseia' retiro o seguinte poema para vos ofertar: